۰ Tércio da Gama ۰
۰ Tércio da Gama ۰
Galeria (Obras à venda)
Trabalhos Realizados
Referências
Contato
Referências
Carlos Humberto Pederneiras Corrêa - Membro das Associações Brasileira e Internacional de Críticos de Arte - ABCA / AICA

À primeira vista, o que impressiona nas pinturas acrílicas de Tércio da Gama é a explosão incontida das cores, uma profusão de tons nos níveis do cenário: no céu, no chão e nos figurantes, tanto os integrantes do cenário de fundo, quanto os presentes na boca de cena, numa mistura frenética que não permite a permanência da terceira dimensão no palco, afastando intencionalmente qualquer profundidade e somente deixando à mostra uma visão patética do plano.

A cor substitui o traço, e o contorno do desenho, quando existe, serve mesmo de pintura e não de limite entre espaços demarcados.

Flávio de Aquino - Crítico e membro de júri de vários salões de arte no Brasil e no exterior

"Poucos são os que utilizam a cor com tanta paixão e sabedoria. Introduzindo uma realidade nova e fascinante em tudo que pinta, como Tércio da Gama"

Harry Laus - Ex-Critico de arte do jornal carioca "O Globo"

"Aí estão as pinturas de Tércio da Gama. Mais cor é quase impossível. Outros têm utilizado a cor de forma deslumbrante, como Marc Chagal ou Rauol Dufy, parentes de Tércio, também parentes de Eli Heil. Mas existe um polo de diferenciação entre Eli e Tércio; se ela absorve do imaginário, Tércio da Gama estabelece a crônica da ilha, seus mitos e suas magias. No início de 70, houve uma reação violenta contra o non sense da abstração e da pop-art, substanciada no que se convencionou chamar-se figuração narrativa. Tércio pega a narração e a submete a um esquema de cores onde cada episódio sai valorizado."

João Evangelista de Andrade Filho - Diretor do MASC - (Museu de Arte de Santa Catarina)

"Presenciei o início da carreira do pintor Tércio da Gama, artista tão representativo da sua geração. E as reminiscências me dizem que tal geração, em Florianópolis, não praticava apenas a arte de desenhar, de pintar, ou de fazer tapeçarias (no caso, de Pedro Paulo Vecchietti). Já instruídos nos embates do movimento modernista que, pela época, ainda oscilava com polêmica entre a figuração e o concretismo, os artistas plásticos catarinenses, tendo como epicentro ideológico e referencial a revista sul, experimentavam o gosto pela promoção cultural, pela prática da militância, pelo exercício da ilustração, sobretudo de poemas. Foram colaboradores daquela revista pioneira e, na verdade, única entre nós.

O diálogo com os homens de letras era contínuo. Processava-se com consistência; as discussões nunca arrefeciam; as descobertas pessoais eram aventadas, emuladas ou tratadas com reserva. Van Gogh permanecia o polo. O referente do horizonte mediativo. O fovismo emprestava-lhes as cores mais ousadas e as combinações arbitrárias que a falta de regras exigia. Por mais que, no decorrer de suas carreiras, se dispusesse a testar mídias artísticas, essa geração permaneceu fiel ao império da pintura. Não só por ser um veículo maleável, mas também por ser oportuno para o desborde de sensibilidades particulares, para as quais o modernismo possível representava o limite das aspirações. Não há mistério na pintura que se praticou; apenas o fascínio da cor e o encantamento diante de uma dupla vertente de interesse, a saber, o clima local e a conquista plástica. Foi assim que Tércio da Gama se destacou. No armazém da história recente da arte foi buscar as regências que, às vezes discrepantes, através de uma consciente vontade artística, haveria de tomar rumos idiossincrásicos e se transformaria em linguagem vigorosa, tônica. Pessoal: foi assim também que ele, ao atravessar tantos interesses expressivos, conseguiu ser fiel a si mesmo. Até chegar à atual "maneira". Dela faz parte vasta reserva de visão caleidoscópica: a captura de um mundo em plena fragmentação e justaposição de objetos, repertório esfuziante e vital: animal, vegetal, folclórico. Frequentes vezes aglutinados sob a ação da matéria pictórica, cada vez mais densa e "folheada", sedimentar. E por toques de luz a que não faltam os passes e transpasses, segundo um construtivo peculiar que lembra o de Klimt. Tércio, artista compulsivo e rápido no gatilho, por outras vezes recorre a uma organização próxima à das engrenagens de um relógio mecânico. Usa a circularidade e os movimentos virtuais giratórios que a compartimentação lhe proporciona, auxiliado por pequenas manchas por assim dizer moleculares. Escapando ao maneirismo e ao decorativo por uma impulsividade que é de fato expressionista, cuja soltura mostra-se irrefreável e ao mesmo tempo regulada, realiza uma pintura de interpenetração, de fusão, próxima a questões que a ciência atual coloca.

Há, também, apesar da matéria pictórica, algo de tecido: mostruário de imagens em que o linear e o pictórico dialogam, quando apresenta insígnias ou mandalas; formas de ferro forjado, mil flores de pesos de cristal, radiações e relações matemáticas que regem uma inventividade inesgotável de padrões, cortados por listas verticais e relações cromáticas de alta voltagem, a que não faltam acordes paradoxais e emprego de cores "perigosas" que respondem, por exemplo, às de Beatriz Milhazes. A pintura de Tércio semelhante aos quebra-cabeças ou às palavras cruzadas, impõe uma decifração lúdica que, ao esconder e ao revelar o lado críptico da natureza, traz à baila um vitalismo que se impõe ao espectador como sugestão alucinatória. Tércio, pintor do fervilhante, pintor da vida."

José Gomes Neto - Escritor e poeta

Tércio da Gama trabalha com símbolos e cores. Do real, retira elementos que se revelam em contexto cuja ordem se faz pela desestruturação. Ou, no mínimo, pelo reordenamento pictórico do espaço e dos seres que nele habitam.

Em Tércio, a pintura alcança nível de ressignificação, porque consegue ludicamente refundar o mundo. Por isso, não há régua nem compasso na origem da perspectiva em sua obra. São as cores que tecem os planos, que dizem profundidades. Em sua obra, até mesmo os traços, que dariam contorno e substância ao figurativo, sucumbem à força das cores. Daí o falso figurativo de sua pintura, sua força expressionista própria, original, muitas vezes ilusoriamente abstrata. Em Tércio, apenas as cores são concretas, embora elas mesmas estabeleçam suas fronteiras ou definições.

Péricles Prade - Escritor, poeta e crítico de arte

"Tércio da Gama, catarinense herdeiro da arte ocidental, é, no auge da maturidade, experiência e paixão pelo ofício, um típico pintor moderno de viés colorista, como o foram Delacroix, Bonnard, Lautrec, Matisse, Van Gogh e Chagall, entre outros, em suas respectivas épocas. A obsessão pela cor, características nodal do harmônico conjunto das obras, tornou o seu estilo marcante e inconfundível. Sem dúvida assim o é, porque se utiliza de um complexo de cores (com ênfase nas primárias) dinâmicas, vivas, vibrantes, iridescentes, festivas, carnosas, luxuriantes, agitadas, instintivas, às vezes cruas, fruto de pinceladas velozes, musicais, ásperas, severas, contundentes, vigorosas, viscerais, expressando explosão de beleza, inclusive nos campos afetados quase sempre por franjas, lavas ou manchas justapostas sob o signo de extração catártica. Enfim, cores tropicais."

Silveira de Souza - Escritor e poeta

"Em Tércio da Gama é a ilha de Santa Catarina, no que ela tem de açoriano e de características paisagísticas, o que predomina. Numa marcação quase violenta de cores, em múltiplas gradações, a paisagem e os fatos da ilha se configuram num universo mágico e primordial, no qual os objetos se posicionam de modo francamente aleatório, dentro de um aperspectivismo de feições a bem dizer oníricas. Pintura visionária. A ilha de Tércio da Gama é a evocação de um mundo extinto e puro, em que os elementos parecem buscar, numa ânsia panteísta, a sua vida própria no conjunto das coisas."

۰ Tércio da Gama ۰
Página inicial / Galeria (Obras à venda) / Trabalhos realizados / Referências / Contato